quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

PAREM DE USAR NERD E GEEK

Serge Gainsbourg (Je t'Aime, lembram?) lendo gibi


Jerry Lewis, o cara que todo mundo imitou depois, lendo gibi













Como já disse antes, não gosto de eventos de quadrinhos. Qualquer coisa voltada para quadrinhos, porém, torna-se sempre pior devido à mania grotesca de associá-la a termos como 'nerd' e 'geek' - NerdCast, NerdCon, Homem Nerd, enfim, tudo gente que carece de um bem aplicado chute na bunda.

O ator Kevin Spacey lendo gibi


Joe Strummer, da banda The Clash, lendo gibi do Conan












Quem aceita e corrobora a associação entre quadrinhos e nerds é um estúpido que aceitou a redução de toda uma linguagem, de um meio de contar uma história, como a literatura ou o cinema ou o teatro, a um subgênero específico, a um gueto sociossexual subalterno, degenerado e aviltante, um comportamento obrigatório que reduz o leitor ao papel de um bobalhão imaturo e virgem alienado da realidade, um colecionador de bonecos articulados que se masturba com mangás.


A modelo Alessandra Ambrósio lendo gibi
(quer conhecer minha coleção...gata?)

John Wayne, "The Duke", lendo
Príncipe Valente com os bacurinhos



Eu pergunto: você aí, que está lendo por acaso esse desabafo e provavelmente também lê quadrinhos (imagino que sim, ou não estaria aqui), sente-se representado por esses estereótipos citados aí acima? Sua vida intelectual, social e sexual se limita a isso? Sei que há gente assim, mas conheço pessoas que lêem ou leram quadrinhos e não sofreram nenhum dano cerebral duradouro.


O guitarrista da banda Ramones,
Johnny Ramone, lendo gibi

O guitarrista do REM, Peter Buck, quando ainda trabalhava de
vendedor em uma 'comic shop' antes de se dar bem com a banda















As novelas de TV, por exemplo, são muito mais nocivas e medíocres, mas são levadas a sério pela imprensa e por parte do público como verdadeiras obras de arte. Se alguém é cinéfilo não é tratado dessa forma, por que motivo? Cinema, hoje em dia, é em média muito mais superficial e infantil do que os quadrinhos.



Snoop Dog lendo gibi do Naruto: por essa,
então, você não esperava nem fodendo!
Humphrey Bogart, o padrinho do 'cool',
lendo gibi: por essa você não esperava

















Várias celebridades cultuadas ou ao menos toleradas (as imagens que ilustram esse post provam isso) liam ou leem quadrinhos e foram capazes de entender seu valor como arte narrativa. No entanto, nenhuma gota de seu prestígio respingou nos quadrinhos, que carregam ainda o estigma de 'passatempo de bundão'. Você gosta de ter seu nome associado a termos como nerd e geek, a gente incapaz de ter alguma relação sexual consensual sem a necessidade de pagamento pelo serviço?


Elvis, The Pelvis, o rei do rock, lendo gibi

Don King, o "Eurico Pilantra" do boxe, e Cassius Clay/
Muhammad Ali lendo Superman X Muhammad Ali (li a
edição brasileira, publicada pela Ebal! Como estou velho.)















Minha teoria de estimação é que parte do fracasso comercial dos quadrinhos se deve à armadilha criada pela associação automática entre quadrinhos e essa subcultura doente dos nerds e geeks, que as editoras, sites especializados e promotores de eventos parecem cultivar como garantia de faturamento mínimo, de atendimento a um público já formado.


Madonna beijando edição do gibi do Doutor Estranho
Jimi Hendrix lendo gibi no salão














Isso não explica sozinho o fracasso atual das vendas de gibis, claro. Atribuo o fracasso a isso e uma combinação entre roteiros ruins, interligações cronológicas excessivas que extinguiram a boa e velha edição 'one shot', ao apego excessivo aos chamarizes comerciais baratos e à proteção às marcas registradas, mas isso é outra história, fica pra outro post (cobrem de mim um post explicando o boom dos quadrinhos nos anos 1990 e seu fracasso subsequente, tenho uma teoria boa sobre isso).


Janis Joplin - que teve capa de disco
ilustrada por Robert Crumb - lendo gibi

James Brown, The Godfather of Soul, The Hardest Working
Man in America, lendo gibi de lobisomem no Zaire
(atual República Democrática do Congo)





Imagino aqui o que Jack Kirby faria se um desses garotos com seios que abraçam estes termos se dirigisse a ele como 'nerd' ou 'geek' só porque ele era quadrinhista. Talvez o velho apagasse um charuto mata-rato no olho do zé ruela.



Linda e Paul McCartney batendo papo com Jack Kirby
Chuck Norris garotão e Jack Kirby














EXCELSIOR!


Sid Vicious, dos Sex Pistols, lendo gibi

Ringo Starr lendo um gibizinho











Nicolas Cage, colecionador,lendo
gibi do Luke Cage, cujo nome adotou
O diretor de cinema Nicholas Ray lendo gibi












4 comentários:

Ozymandias Realista disse...

Esse teu blog é sensacional, finalmente descobri quemescreve aqueles posts com gifs sensacionais no El Fanzine, além de ter ilutrado duas das histórias que mais gostei do El Fanzine, um foi da "Sardinhobrás" e a outra foi do Fáscinio pela violência que um casal tinha. Eu sou bem puto com o que os quadrinhos tão cada dia virando, eu simplesmente não aceito termos como "cultura pop" ou esses termos, como o sr disse, realmente coloca tudo como um subgênero. Outra moda que existe, é todo mundo ser crítico excessivo com publicações dos Novos 52 da DC e ver aqueles pipocões que a Marvel e chamar de revolução cinematográfica... De qualquer forma estou adicionando seu blog ao meu, para ser ver a ultima atualização como eu fiz com o El Fanzine. Acho que eu não sabia que quase ninguém das fotos lia quadrinhos, e o mais interessante nas fotos é diversidade que existe, não ficando só naquela de "Homem-Aranha ou Batman".
Força e honra.

Nemo disse...

Valeu, Ozymandias. Fico feliz que você tenha gostado das histórias. Quanto às postagens do El Fanzine, não sou o único que escreve, os outros caras também postam lá.

Ruptured Duck disse...

Nos mercados franco-belga e japonês ninguém se acha nerd. Essa idéia, como a maioria das pessoas deveriam saber, se restringe às características do mercado americano onde, para entender os quadrinhos de super-heróis, é necessário ser especialista em cronologia.

Mas o termo cultura pop não é necessariamente pejorativo, uma vez que na sua origem, os comics foram feitos para serem populares e pra criançada. Termos incomôdos são tanto "gibi" (algo descartável e rasteiro) quanto "graphic novel" (nome desnecessário para tentar sofisticar os quadrinhos). Quadrinho pode ser pop e complexo ao mesmo tempo e não tem nada de contraditório nisso. Melhor do ser "arte sequencial".

Nemo disse...

Ruptured Duck, concordo com o Graphic Novel, que também acho pedante e é como "passar recibo" - reconhecer que quadrinho é inferior e precisa de uma roupa nova pra enganar o porteiro e entrar pela portaria social. Mas gosto de gibi; não acho pejorativo, acho simpático.
Sobre cultura pop, também não acho tão ruim. O ruim de aturar mesmo é nerd ou geek. Esses aí não tem como.